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Vinte é o número!

CRUZEIRO NET – 15 de maio de 2005  (http://www.jcsol.com.br/2005/05/15/15B101.php)
Luiz Setti

O pianista e professor André Marques rege os músicos da Vintena Brasileira, todos oriundos do Conservatório de Tatuí e unidos pelo mesmo interesse.

Gai Sang


Guarde bem esse nome: Orquestra Vintena Brasileira. Por trás dele estão vinte músicos, com idade de 20 e poucos anos, em média, que compõem a primeira orquestra instrumental da cidade. Criado há quase dois anos pelo pianista e professor de música André Marques, membro do Trio Curupira, o grupo é uma espécie de big band que desenvolve um trabalho baseado nas raízes brasileiras com tratamento universal, propondo novas sonoridades e fusões inéditas e contemporâneas.


Segundo André Marques, regente desse combo musical, há tempos que ele vinha querendo reunir músicos para formar uma orquestra que explorasse sonoridades inusitadas. "Como professor de música em Tatuí, consegui reunir um grupo de pessoas com os mesmos interesses. No começo, foram uns cinco, seis, dez músicos. Aos poucos, no entanto, o número foi crescendo, e agora temos vinte músicos na orquestra", lembra ele.


Seguindo a linha da "música universal" proposta pelo músico alagoano Hermeto Pascoal - na qual são misturados todos os elementos possíveis em um só gênero - e de quem André é discípulo e membro de sua banda, a Orquestra Vintena Brasileira vem ensaiando quase às escondidas no auditório "Pedro Salomão José", todas as quarta-feiras, graças ao empenho do produtor sorocabano Marco de Almeida, que depois de ver o grupo ensaiando num quarto pequeno, ficou impressionado com a qualidade musical e propôs que passassem a trabalhar com ele. "Nunca ouvi tanta qualidade musical. Além de fazer um trabalho renovador, a orquestra se diferencia pela maneira como seus integrantes encaram a música, com seriedade", observa Marco. De fato, apesar da pouca idade dos membros da orquestra (em sua maioria, rapazes, e apenas três mulheres), todos mantêm uma postura de total respeito e seriedade quando estão sob a batuta de André Marques.
Diferencial


Treino, prática e o convívio humano e musical junto com o mestre André, fizeram com que os músicos incorporassem uma liberdade e um senso estético-harmônico que não dá para ser rotulado. Longe do main stream, a música que a Orquestra Vintena Brasileira faz é muito dinâmica, cheia de riquíssimos tons e texturas sonoras, revolucionária, pois foge das fórmulas e formas conhecidas de composição tanto jazzísticas quanto populares.


Para André Marques, um dos diferenciais do grupo é a maneira como eles compõem e arranjam seu repertório: tudo é feito durante os ensaios. "Aqui temos a possibilidade de exercitar nossa criatividade. Criamos as músicas e as arranjamos aqui mesmo, na hora", diz o jovem regente.
Aliás, o repertório da orquestra dissolve as fronteiras de estilos musicais: vai do folclore (buscando a raiz dos ritmos, explorando principalmente as partes percussiva e melódica) ao erudito (colocando harmonias mais modernas com o uso de contrapontos e polirritmias, dando uma sonoridade mais rica), passando pelas improvisações do jazz americano (mas com linguagem brasileira), pelos ritmos nordestinos (baião, maracatu, frevo, etc.), colocando melodias árabes, indianas, flamencas... Tudo cabe na proposta musical da orquestra, que tem também um naipe de guitarra elétrica, gaita e vocal.


O mérito dessa versatilidade sonora pode ser creditado aos músicos do grupo, todos oriundos do Conservatório Dramático e Musical de Tatuí. Excelentes instrumentistas, alguns são muito requisitados para todo tipo de trabalho. Freqüentemente trabalham acompanhando cantores, alguns deles mais glamourizados na mídia e com musicalidade sofisticada, e outros, artistas de repertório mais popular. Contudo, entre eles, os trabalhos são valorizados da mesma maneira, pois trabalho é trabalho; e esses músicos gostam de fazer bem feito.

 
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